Primeiros Socorros

Fraturas

É difícil lidar com o as inúmeras repetições de episódios de fraturas e com a visão do sofrimento da dor de um osso fraturado. No entanto você nunca se deve esquecer que as fraturas acontecerão por muito cuidadoso você seja.

As fraturas devem ser aceites como fazendo parte da vida de um indivíduo com OI.

É importante, por isso, que estejamos preparados para prestar primeiros socorros sempre que seja necessário. O mais provável é que a situação se verifique no seu dia a dia, quando não existe ninguém mais qualificado por perto para ajudar.
No que diz respeito às crianças, nunca se esqueça, o seu filho confia em si, e ninguém o conhece melhor a ele do que você!

 

Compreender o esqueleto

O nosso esqueleto é composto por cerca de 206 ossos e serve como estrutura para o corpo.

Os ossos, por um lado são responsáveis por dar sustentação ao corpo promovendo estabilidade e facilitando os movimentos, e por outro funcionam como “vasilhame” protegendo os órgãos vitais. O seu interior é preenchido pela medula óssea (onde se produzem as células sanguíneas e o seu exterior é constituído por fibras de colagéneo, células ósseas e minerais, como cálcio e fósforo.

No corpo humano podemos encontrar ossos de três tipos:tipos_ossos[1]
A – longos – como por exemplo o fémur, a tíbia ou o úmero
B – planos ou chatos – como os da calote craniana ou o omoplata
C – curtos – como os ossos da mão (metacarpo) ou do pé (metatarso)

As lesões ou soluções de continuidade dos ossos são habitualmente chamadas fraturas e podem surgir espontaneamente (sobretudo na OI ou em situações de osteoporose avançada) ou ser causadas por trauma directo ou indirecto, por torção.

fractura1
Quando se dá uma fratura, chamamos a toda a região afectada o FOCO DE FRATURA. A linha segundo a qual o osso parte denomina-se TRAÇO DE FRATURA, e as duas pontas de osso que ficam partidas são conhecidas por TOPOS ÓSSEOS. Também podem permanecer pequenos fragmentos de osso no foco de fratura que chamamos ESQUÍROLAS ÓSSEAS.

fractura parcialAs fraturas podem ser classificadas de várias formas:

QUANTO AO TAMANHO DA LESÃO:

  • PARCIAL – o osso tem solução de continuidade mas não se separa completamente
  • TOTAL – o osso quebra separando-se completamente

QUANTO AO LOCAL DA LESÃO:

  • DIAFISÁRIA – surge, nos ossos longos, a região média do osso
  • EPIFISÁRIA –- surge na porção mais distal do osso, sem envolver a cartilagem do crescimento
  • METAFISÁRIA – habitualmente envolvendo a cápsula articular

QUANTO À SUA APRESENTAÇÃO:

  • FECHADAS – Quando não existe ferida Na zona da fratura
  • ABERTAS – Sempre que há ferida associada ao foco de fratura. Estas podem ser ABERTAS SIMPLES, se não se visualizar o osso partido, ou podem ser EXPOSTAS, se o osso fraturado estiver visível no exterior do corpo

Para que seja possível o movimento, os ossos interligam-se entre si através de articulações, que formam uma “cápsula” constituída por cartilagem, membrana sinuvial e líquido sinuvial envolta por ligamentos, tendões e músculos.

As articulações também podem ser de três tipos:

  • Móveis – permitem o movimento
  • Semimóveis –- permitem um movimento reduzido
  • Imóveis –- são estáticas e por isso não permitem que haja movimento entre os ossos envolvidos

As lesões das articulações habitualmente apresentam-se sob duas formas:

  • ENTORSE – quando, apesar da articulação ter sofrido torção, os ossos não saem do seu local
  • LUXAÇÃO – a torção da articulação provoca não só lesão das partes moles da articulação, mas o(s) osso(s) desencaixam-se do seu local habitual

 

Lesões das Articulações

Entorse

Rotura ou distensão dos ligamentos que reforçam uma articulação, provocada por estiramento violento ou movimento forçado.

Sintomatologia:

  • Dor forte no momento do acidente que se agudiza com o movimento
  • Edema ou inchaço
  • Equimose (nódoa negra) em alguns casos
  • Impotência funcional

Primeiro Socorro:

  • Posição confortável
  • Fazer aplicações frias
  • Promover o apoio da articulação
  • Na dúvida, imobilizar a articulação

Luxação

Perda de contacto das superfícies articulares por deslocação das extremidades de 2 ou mais ossos que convergem para uma articulação.

Sintomatologia:

  • Dores violentas
  • Incapacidade em movimentar
  • Deformação
  • Edema
  • Perda de função

Primeiro Socorro:

  • Instalar vítima em posição confortável
  • Imobilizar sem fazer qualquer redução
    (tentar colocar o osso no sítio)
  • não dar nada a beber, agasalhar para prevenir o mal estar
  • Transportar ao hospital

 

Lesões nos Ossos – Fraturas

Reconhecer as fraturas

Saber como reagir face a uma fratura faz parte do “saber viver” com OI.
Se você encarar com naturalidade esta situação, ensinará o seu filho a viver a sua realidade sem medos e ajuda-lo-à a si a compreender que pode intervir ativamente no alívio do sofrimento do seu filho.

Os seguintes sinais podem indicar a presença de uma fratura:

  1. O grito ou choro súbito e muito alto;
  2. O som do estalar do osso a partir ao manusear a criança;
  3. Você pode notar inchaço, deformação, ferimento, calor da pele em redor da área, incapacidade em mexer ou encurtamento do membro atingido;
  4. O seu filho pode autoimobilizar uma fratura no braço, ou girar a cabeça na direção do braço fraturado para diminuir a tensão dos músculos.

Se você suspeitar de uma fratura:

  1. Fique calmo e mantenha o domínio sobre a situação;
  2. Afaste os curiosos e as pessoas que estão a atrapalhar;
  3. Tenha o cuidado de manter a criança constantemente confortada, acalmando-a e conversando com ela;
  4. Tente localizar a fratura tocando delicadamente na superfície de cada membro, começando por aquele onde menos espera a lesão;
  5. Administre um analgésico para aliviar a dor e espere um pouco para que este comece a fazer efeito;
  6. Avalie a situação, pondere e decida se é uma situação de urgência prioritária:
    • fraturas abertas (com ferida ou exposição de parte do osso)
    • fratura com grande hematoma (sinal de derrame interno)
    • fraturas acompanhadas de inconsciência, mal estar geral ou vómitos
    • todas as fraturas do ombro à cabeça
  7. Imobilize o braço ou perna temporariamente. A imobilização improvisada é extremamente importante, pois para além de aliviar a dor, evita que ocorram complicações mais sérias do que a própria fratura
  8. active o sistema de emergência (112) para transportar ao hospital se for uma situação de urgência prioritária. Caso contrário telefone ao médico assistente para combinar o melhor procedimento

 

Regras para fazer imobilizações provisórias

É importante que tenha em casa, ou que transporte consigo quando vai de férias, uma mochila de primeiros socorros com o material mínimo necessário para poder fazer imobilizações improvisadas:

  • analgésico forte
  • tesoura (para cortar roupa)
  • talas de madeira de vários tamanhos
  • Agenda de telefones médicos
  • Boletim de saúde
  • Resumo da história clínica

Para imobilizar um osso não se esqueça que deve respeitar algumas regras:

  • fazer alinhamento para manter a posição original do membro

Fratura

Solução de continuidade, parcial ou total, de um osso, que implica a alteração na sua estrutura e resistência ao esforço, podendo ainda perder a sua forma habitual.

Sintomatologia:

  • Dor
  • Edema ou hematoma
  • Impotência funcional ou perda de função
  • Deformidade
  • Encurtamento do membro
  • repitação óssea (som dos topos ósseos a tocar um no outro)
  • Imobilidade ou mobilidade anormal
  • Exposição dos topos ósseos (nas fraturas expostas)

Primeiro Socorro:

  • Instalar em posição confortável
  • Expôr foco de fratura
  • Retirar adornos (anéis, pulseiras, …)
  • Proteger topos ósseos ou as feridas com compressas (não usar algodão)
  • Vigiar pulsação, temperatura, cor e sensibilidade do membro afetado
  • Não dar nada a beber
  • Manter temperatura corporal
  • Proceder à IMOBILIZAÇÃO

Imobilizações (Regras Gerais)

EVIDÊNCIA OU SUSPEITA DE FRACTURA – Imobilizar sempre
MANTER POSIÇÃO ORIGINAL – alinhamento dos topos ósseos
FAZER TRACÇÃO E ALINHAMENTO EM SIMULTÂNEO
FRACTURAS DE OSSOS LONGOS – Imobilizar articulação acima e abaixo do foco de fractura
FRACTURAS ARTICULARES – Imobilizar ossos acima e abaixo do foco de fractura
FRACTURAS EXPOSTAS –- Proteger com penso antes de imobilizar
NÃO FAZER REDUÇÃO DA FRACTURA (tentar colocar os ossos no sítio)
As talas aplicadas devem estar almofadadas ou protegidas de modo a não impedir a circulação.

Objetivos da imobilização:

  • Diminuir a dor
  • Controlar eventuais hemorragias
  • Prevenir o estado de choque

Para improvisar imobilização do antebraço ou mão:

imobilizacao_braco1[1]frat3[1]OBJECTIVO: imobilizar os movimentos do pulso e do cotovelo.

Coloque uma tala de madeira (ou cartão) almofadada por baixo do antebraço, envolva o antebraço e a mão em ligadura ou fixe com lenços.

NUNCA SE ESQUEÇA QUE EM TODAS AS LESÕES DO MEMBRO SUPERIOR O BRAÇO DEVE FICAR SUSPENSO AO PEITO

Para improvisar imobilização do úmero (osso do braço):

OBJECTIVO: imobilizar os movimentos do cotovelo e do ombro.

Faça a SUSPENSÃO do membro com um lenço. Coloque uma revista ou jornal em forma de “telha” ao alto a proteger a zona do osso fracturado. Fixe o braço ao tronco com outro lenço ou com ligaduras.

 

Para improvisar imobilização do fémur (osso da coxa):

OBJECTIVO: imobilizar os movimentos do joelho e da anca.

Coloque uma tala de madeira forrada entre as duas pernas. Coloque outra maior do outro lado do membro fracturado (esta segunda tala deve chegar desde o pé até ao torax). Fixe as duas talas ao membro com a ajuda de lenços ou ligaduras. Fixe a parte da tala que chega ao torax com lenços, ajustando sem apertar demasiado. Por fim ate as duas pernas uma à outra em vários pontos distintos.

Se não tiver estes materiais pode colocar uma protecção de toalhas entre as duas pernas e embrulhar ambas as pernas, juntas, com uma ligadura ou com lenços e écharpes.

 

Para improvisar imobilização da perna ou do pé:

OBJECTIVO: imobilizar os movimentos do joelho e do tornozelo.

Coloque uma tala de madeira forrada de cada lado da perna (desde acima do joeho até abixo do pé). Fixe as duas talas ao membro com a ajuda de lenços ou ligaduras. Com uma ligadura mais larga toda a região do tronozelo para impossibilitar o seu movimento.

Se não tiver estes materiais pode colocar uma protecção de toalhas entre as duas pernas e embrulhar ambas as pernas, juntas, com uma ligadura ou com lenços e écharpes.
imoblizacao_perna[2imoblizacao_perna[3imoblizacao_perna[4

 

 

 

 

Nunca se esqueça:

Se estiver preparado pode evitar que cada fractura seja mais um golpe moral para o seu filho;
Viver com OI significa estar preparado para actuar perante uma fractura;
Se se sentir inseguro, pode recorrer a escolas de socorrismo , que ensinam a fazer imobilizações improvisadas.

 

NUNCA TRANSPORTE NINGUÉM COM SUSPEITA DE FRACTURA SEM UMA IMOBILIZAÇÃO, MESMO QUE IMPROVISADA

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