Viajar com OI

Viagens de Automóvel

Sistemas de Retenção – “cadeirinhas”cadeira1

“É perto, não vale a pena …”
“Eu conduzo devagar e tenho cuidado …”
“Como ela é muito frágil, vai melhor aconchegadinha no meu colo…”
“Ela não gosta de usar e eu agarro-a bem …”
“Já é muito crescida …”
Estas são algumas das razões apontadas pelos pais para não transportarem os seus filhos nas “cadeirinhas”.

Quando sair da maternidade vai precisar de um meio de transporte seguro para transportar o seu bebé.

Para ponderar essa situação há que ter em conta a vulnerabilidade das crianças e ainda mais se estivermos a falar de bebés com OI. Num acidente de viação as crianças são mais vulneráveis do que os adultos, pois são mais pequenas e mais leves e por isso são mais facilmente projetadas, quer no interior do carro, quer para fora dele. Além disso, os músculos do pescoço e da coluna são mais fracos, as costelas e os ossos da bacia não estão completamente desenvolvidos e alguns órgãos estão mais expostos do que outros.
Além disso, a cabeça é proporcionalmente maior e mais pesada em relação ao corpo, o que provoca o chamado “efeito bala”. O seu esqueleto, particularmente os ossos do crânio, não protege os órgãos tanto como o do adulto.

Procure uma cadeirinha que recline o mais possível, mas tendo em consideração que seja fácil de pôr e retirar do carro.

De uma maneira geral, mesmo as cadeiras de tamanho menor são demasiado grandes para a maioria dos recém nascidos com O.I. (que são geralmente muito pequenos e frágeis), por isso pode ser necessário adaptar o interior das cadeirinhas. A maior parte das que estão comercializadas, atualmente, já dispõem de estruturas almofadadas para preencher os espaços livres no interior, mas se tal não for suficiente podem-se adaptar placas de espuma recortadas com a forma da criança para que esta fique o melhor acomodada possível.

Para além de reclinar bem a cadeira, deve proteger todas as peças rijas com almofadinhas, como por exemplo os fechos.
Tal como em qualquer outra criança, é absolutamente necessário que a cadeira fique bem fixa com os cintos de segurança do carro.

NUNCA VIAJE COM UMA CRIANÇA SEM PRENDER A CADEIRA COM OS CINTOS DE SEGURANÇA, mesmo que a cadeira lhe pareça bem segura ou que a distância seja muito curta.

A maior parte dos acidentes com lesões graves nas crianças dão-se, efetivamente, nos percursos curtos ou perto da área da residência, exatamente pelo excesso de confiança de que como o trajecto é breve nada de mal acontecerá.
As cadeirinhas devem ser instaladas no automóvel na posição indicada pelo fabricante. Habitualmente têm indicação para ser colocadas no banco traseiro, mas podem ser instaladas no assento dianteiro desde que os dispositivos de contenção frontais (“airbaig”) estejam desligados.

NUNCA VIAJE COM UMA CRIANÇA NO ASSENTO DIANTEIRO DE UM CARRO QUE NÃO TENHA O “AIRBAIG” DESLIGADO”. Em qualquer situação isto pode ter consequências dramáticas e serão maiores ainda se estivermos a falar de portadores de OI.

As cadeiras para recém-nascidos nunca devem ser colocadas de frente, pois, em caso de travagem, poderia ocorrer estiramento do pescoço levando a graves lesões da coluna vertebral ou da base do crânio.
Quando o seu filho já se sentar sozinho, deve utilizar uma cadeira adequada para a sua idade e peso.

Existem excelentes modelos no mercado, inclusive alguns que se vão adaptando em altura ao crescimento da criança.

Quando comprar cadeira ou dispositivo especial para transportar os seus filhos, certifique-se sempre se os mesmos estão homologados (normativa ECE R44/03).

Confirme se o seu filho se sente confortável e seguro na sua nova cadeirinha. Não esqueça que uma das peças fundamentais deve ser o apoio para os pés, por forma a manter as ancas na posição correta e evitar que as pernas fiquem penduradas durante a viagem.

Atualmente já existem no mercado cadeiras que giram sobre elas próprias para se virarem de frente para a porta do carro, facilitando o trabalho de entrada e de saída da criança . Este tipo de design é particularmente importante para as crianças que têm OI, pois permite que a criança seja colocada e retirada na cadeira sem os “maus jeitos” a que habitualmente estão sujeitas na colocação nas cadeiras “normais”.No caso da criança necessitar usar coletes de imobilização confirme se a cadeira é adequada à acomodação destes dispositivos e no caso de ser necessário procure a ajuda dos fabricantes, que geralmente têm ao ser dispor linhas de serviços de apoio e aconselhamento ao cliente.

Dispositivos de retenção

Da maternidade aos 18 meses (cadeira 0-13 Kg) Cadeira portátil: é a mais indicada para os recém nascidos devido à sua posição semi sentada que permite amparar a cabeça, o pescoço e as costas da criança uniformemente em caso de acidente.
Deve ser sempre utilizada no sentido inverso ao da marcha.
A partir dos 18 meses (cadeira 0-18 Kg) Estas cadeiras devem ser utilizadas preferencialmente voltadas para trás, no entanto, poderão ser utilizadas voltadas para a frente pelas crianças com mais de 18 meses, se já não couberem voltadas para trás e enquanto não ficarem bem numa cadeira de apoio.
A cabeça da criança não deverá estar mais alta que as costas da cadeira.
Cadeiras de apoio (cadeira 9-36 Kg ou 16-36 Kg) São indicadas para crianças com mais de 2 anos, desde a altura em que começam a viajar voltadas para a frente, e podem ser utilizadas até aos 12 anos ou 1,5m de altura.
A cadeira adapta o cinto de segurança do automóvel ao corpo da criança, e é o melhor sistema para a criança viajar voltada para a frente.
Bancos elevatórios Poderá ser utilizado o banco elevatório a partir dos 7 ou 8 anos, se o cinto de segurança não ficar sobre o pescoço da criança. Caso contrário, deve continuar a utilizar a cadeira de apoio.
A maior parte das cadeiras de apoio têm as costas destacáveis, podendo ser transformadas em bancos elevatórios.
O que diz a Legislação PortuguesaO transporte de crianças encontra-se regulado no artigo 55.º do Código da Estrada

  • É proibido o transporte de crianças com idade inferior a 12 anos no banco da frente, salvo:
    1. Se o veículo não dispuser de banco na retaguarda;
    2. Se tal transporte se fizer utilizando acessório devidamente homologado.
  • Crianças com menos de 3 anos devem viajar obrigatoriamente num dispositivo de retenção aprovado para o seu tamanho e peso.
  • Crianças com mais de 3 anos e menos de 12 anos devem viajar prioritariamente nos lugares equipados com dispositivos de retenção aprovados, adequados ao seu tamanho e peso, ou, no caso de estes não existirem, terão de usar o cinto de segurança.

Decreto-Lei n.º 190/2006 de 25 de Setembro Artigo 3.º

Passageiros com mobilidade reduzida

A Direcção-Geral de Viação pode autorizar a instalação de cintos de segurança ou sistemas de retenção que não sejam:

  • abrangidos pelo Regulamento de Homologação dos Cintos de Segurança e dos Sistemas de Retenção dos Automóveis;
  • quando se destinem a pessoas com deficiência.

O que é um “dispositivo de retenção aprovado”?

Sistema que se prende ao automóvel através do cinto de segurança, com ou sem cintos integrados, e que é submetido a alguns testes, entre os quais um dinâmico, a cerca de 50 km/h, tendo que “aguentar” o impacto sem se quebrar e sem permitir deslocações e forças excessivas no “manequim” que transporta.
Se passar nos testes, o sistema é aprovado e certificado pelas autoridades, ou seja, considera-se que obedece às normas mínimas de segurança estabelecidas no Regulamento n.º 44/03 da ECE/ONU.
Reconhece-se através da presença obrigatória da etiqueta “E” que contém informações sobre o peso da criança para a qual é adequada e o número de homologação.

“Air-bags”

O airbag tem sido a tábua de salvação de numerosos automobilistas; mas não para as crianças ou para adultos de baixa estatura. São inúmeros os acidentes graves que têm provocado entre os mais pequenos e algumas instituições internacionais prescrevem já novas regras que convém seguir.
O airbag explode a uma velocidade de abertura de 250 a 300 km/h, o suficiente para provocar a morte de uma criança, sobretudo se estiver numa cadeira invertida, se a distância ao tablier for curta ou se viajar sem cinto. O “fenómeno” aplica-se também aos casos de senhoras grávidas e pessoas de estatura baixa ou fragil, como sejam os portadores de OI.
Assim, em carros equipados com Airbags:
As crianças devem ser transportadas no banco de trás, mesmo no chamado assento invertido. Igualmente as senhoras grávidas e indivíduos jovens ou adultos de baixa estatura.
Quando no banco da frente houver alguém nestas condições, o banco deve ser recuado ao máximo. Se o seu carro tiver dispositivo para desligar o Airbag, não se esqueça de o fazer.

Cadeirinhas para passeio

No que diz respeito aos carrinhos de passeio, deve escolher um que reúna algumas características particulares:

  • deve reclinar o mais possível;
  • deve ter apoio para as pernas e pés;
  • deve ser suficientemente larga para que a criança caiba com os aparelhos de gesso;
  • deve ser suficiente prática para lhe permitir passear sozinha com o bebé, sem dificuldades em ultrapassar os obstáculos comuns da rua;
  • devem evitar-se as cadeiras que fecham tipo “chapéu-de-chuva”, pois o apoio para as costas é demasiado macio e não oferece suporte para o eixo cabeça-coluna.
  • quando a criança começar a ficar maior e estiver imobilizada com gesso, NUNCA SE ESQUEÇA DE CONFIRMAR SE A CADEIRA AINDA SUPORTA O PESO ACTUAL, pois caso contrário podem ocorrer acidentes graves.

Tendo em conta as diferenças de estatura que existem na maior parte das crianças com OI, é frequente que nas cadeiras “normais”, demasiado grandes, eles acabem por ficar mal sentados, com os joelhos tortos e virados para fora. É frequente ver um menino sentado com as pernas cruzadas, e sem peso distribuído para os pés. Esta posição, apesar de confortável, não favorece o desenvolvimento ósseo, nem mantém uma biomecânica favorável.
As cadeiras de passeio, também devem ser adaptadas, de forma a manter a postura adequada e aos mesmo tempo ser prática.
A melhor posição para sentar é a que permite distribuir o peso na pélvis, com os joelhos em rotação neutra. Os joelhos devem estar flectidos num ângulo de 90 graus e os pés apoiados, para permitir a distribuição do peso [das pernas]. Se uma criança está apta a usar toda a parte inferior do corpo para se apoiar sentada, é mais fácil para ela manter o controle da cabeça e do tronco.
Um carrinho adaptado com um uma estrutura almofadada com espuma mantém a criança numa postura correcta. A profundidade da adaptação deve corresponder à distância que vai das nádegas largura deve ter a distancia que vai do lado de fora de uma coxa até o lado de fora da outra coxa, quando as pernas estao confortavelmente fechadas e juntas. Pode-se usar uma serra ou uma faca eléctrica para recortar o contorno correcto e moldar o apoio adequado das coxas nas laterais.

 

Viagens de avião

As viagens de avião em pessoas com O.I. são tão seguras como para qualquer outra pessoa.. Pode, no entanto, tornar-se um pesadelo o facto de ter que viajar com uma cadeira de rodas ou com o seu próprio oxigénio.

Para facilitar alguns contratempos é aconselhável tratar de tudo atempadamente e seguir as seguintes indicações:

  • chegue cedo, para fazer o check-in;
  • entregue sempre a cadeira na porta de embarque e não junto com a bagagem;
  • peça que lhe entreguem a cadeira na porta de desembarque e não na entrega de bagagem;
  • se a sua cadeira for eléctrica lembre-se que a bateria será retirada, por questões de segurança, por isso escreva as instruções de como deve ser retirada e entregue-as à tripulação;
  • se a sua cadeira for dobrável, peça que seja transportada no compartimento de bagagem no interior do avião, pois este compartimento tem espaço para acomodar uma cadeira de rodas;
  • se precisar de ajuda para passar para o seu lugar, não tenha receio em explicar à tripulação como devem pegar-lhe ou movimentá-lo;
  • antes da aterragem lembre a hospedeira que vai precisar da sua cadeira logo à saída.

No que diz respeito ao transporte de oxigénio:

  • peça uma declaração ao seu médico para entregar na companhia aérea, algumas destas empresas requerem a declaração com sete dias de antecedência;
  • lembre-se de contactar com a empresa que lhe fornece o oxigénio, para proceder a entregas suplementares, no local para onde vai viajar, durante a sua estadia;
  • a maior parte dos fornecedores fazem as entregas nos aeroportos, por isso trate de tudo atempadamente.